A quem interessa a narrativa dos gangues no espaço mediático?

A investigação a tráfico de diamantes, ouro e drogas em missões militares voltou a trazer para as páginas da imprensa nacional a narrativa dos gangues, automaticamente accionada de cada vez que as suspeitas visam corpos negros e periféricos. A quem interessa esta narrativa? Analisamos mais logo n’ O Lado Negro da Força.

por Afrolink

Sabemos que a lei pinta o suspeito de negro – facto que mobiliza esforços para a alteração do artigo 250º do Código do Processo Penal. Convém termos também consciência do efeito prejudicial da cobertura mediática para a leitura que fazemos da realidade das populações racializadas e periféricas.

Basta observarmos como grupos de jovens brancos em violação da lei tendem a ser associados a “actos de vandalismo” – criando a ideia de que estamos perante situações isoladas de deriva adolescente (mesmo quando se repetem Verão após Verão, como em Vila Nova de Milfontes)-, enquanto jovens negros apanhados no mesmo desacerto são automaticamente apresentados como criminosos de carreira, trilhada entre rivalidades de gangues.

A correspondência entre negro e gangue, reforçada pela terminologia enviesada que se normalizou para descrever os bairros das periferias – “problemáticos”, ou urbanamente sensíveis – voltou a evidenciar-se nos últimos dias, a partir da “Operação Míriade”, de investigação a tráfico de diamantes, ouro e drogas em missões militares.

Apesar de estarmos perante instituições de génese, poder e influência brancos, depressa se propagou a ideia da sua infiltração por gangues das periferias, surpreendentemente capazes para engrendar, à cobro das lideranças, uma máfia com expressão mundial.

Pena que os criminosos de extrema-direita infiltrados nas forças policiais não mereçam a mesma “consideração”.

Prosseguimos a análise mais logo, n’ O Lado Negro da Força. Para ver no Facebook e no YouTube, a partir das 21h.