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Todos os naipes contam

A Nova Vanguarda Negra

Entre a Arte e a Moda, portfólios de 15 fotógrafos negros trazem novas cores a um enquadramento tradicionalmente monocromático. Sob curadoria do afro-americano Antwaun Sargent, as imagens dão vida ao livro “The New Black Vanguard: Photography Between Art and Fashion” (“A Nova Vanguarda Negra: Fotografia Entre Arte e Moda”), publicado no ano passado, e também apresentado em exposição. Além de ser uma montra para promover a produção negra, a obra, que combina assinaturas consagradas com nomes menos conhecidos, responde a uma necessidade identificada por Antwaun Sargent. “Continuo a ouvir que as pessoas querem contratar mais pessoas negras, mas parecem não encontrá-las”, relatou à Vogue, ajustando o foco na mudança: “Espero que este livro possa ser um recurso para a indústria.” Por uma arte e uma moda mais inclusivas.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

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