GALERIAS

Todos os naipes contam

Kamoinge – pela afirmação colectiva!

Com quase 60 anos de história, inaugurada em 1963, no nova-iorquino Harlem, o “Kamoinge Workshop” continua a exibir a sua força colectiva. Fundado por 14 fotógrafos negros, que se uniram para documentar a vida das suas comunidades e criar o próprio ecossistema criativo, o legado Kamoinge está patente na mostra “Working Together” – traduzível para “Trabalhando Juntos”. A exposição, em digressão por museus dos EUA, reúne cerca de 150 fotografias, que revisitam as primeiras duas décadas do grupo, cuja identidade foi cunhada a partir de um termo da língua bantu Kikuyu – Kamoinge significa pessoas que agem em conjunto. Aqui unidas em afirmação colectiva.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

Últimas galerias