GALERIAS

Todos os naipes contam

Álbum de família, com planos de arte

Da autoria da artista multidisciplinar Sofia Yala Rodrigues, a série “Family archives” (Arquivos de Família) reúne recordações privadas que devolvem a nitidez de uma memória distorcida por fabulações da História. “Comecei a brincar com os arquivos de família, a coleccionar e a tentar perceber mais a questão da minha história”, conta Sofia, que encontrou nessa “brincadeira” espaço para um renascimento. “Agora trabalho com identidade, numa abordagem que tem sempre que ver com desconstrução. Então, acaba por ser muito uma espécie de descolonização do imaginário que trago, de desaprender e entender o que é que sou”. O processo de autodescoberta, partilhado em conversa com o Afrolink, ganha expressão artística nesta e noutras criações fotográficas. Num portfólio com vista para uma nova memória colectiva.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

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