GALERIAS

Todos os naipes contam

A força do voto negro

No passado domingo, 12, a força do voto negro esteve em análise em mais uma ronda de conversa d’ O Lado Negro da Força na Casa do Capitão, em Lisboa. O encontro, com a presença de Anabela Rodrigues, que já concorreu às Europeias pelo Bloco de Esquerda, abriu caminho para uma reflexão não apenas sobre a expressão do eleitorado negro em Portugal, mas também sobre o potencial de organização política das populações racializadas, já visível nas lideranças comunitárias. As propostas apresentadas, a caminho das autárquicas do próximo dia 26 de Setembro, incluíram a criação de um partido negro, possibilidade que serve de inspiração para esta galeria de imagens, recriada a partir da exposição “Black Power”, patente no Oakland Museum da Califórnia. Com a herança dos Panteras Negras em destaque.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

Últimas galerias