GALERIAS

Todos os naipes contam

Enciclopédia Negra

Impressas nas páginas de uma obra desde Março passado, e até ao próximo dia 8 de Novembro presentes no catálogo de uma exposição, “Enciclopédia Negra” dá-nos a conhecer mais de 550 personalidades negras, cujas vidas marcaram a História brasileira. “São profissionais liberais; mães que lutaram pela alforria da família; activistas e revolucionários; curandeiros e médicos; líderes religiosos que reinventaram outras Áfricas no Brasil, pessoas cujas feições foram apagadas pela História”, lemos na sinopse da obra, a partir de Maio prolongada numa mostra com 103 retratos, criados por 36 artistas negros. A exposição cumpre o propósito do livro, assinado por Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz, e está organizada em seis núcleos temáticos, segundo o perfil e a luta de cada figura representada. O resultado, patente na Pinacoteca de São Paulo, junta “Rebeldes”, “Personagens Atlânticos”, “Protagonistas Negras”, “Artes e Ofícios”, “Projectos de Liberdade” e “Religiosidade e ancestralidades”. Unidos para “passar em revista a história do Brasil, da colonização aos dias actuais, a fim de restabelecer o protagonismo negro”.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

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