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Todos os naipes contam

A luta do luto. Por Bruno Candé!

Amanhã, 25 de Julho, cumpre-se um ano desde o assassinato de Bruno Candé, executado a tiro na Avenida de Moscavide. O crime, agravado pela motivação racista, mobilizou família, amigos, comunidade artística e movimentos sociais em inúmeras acções de luta, marcadas por incessantes exigências de Justiça, coroadas pela condenação do homicida Evaristo Marinho a 22 anos de prisão. A sentença “mostra que é organizando-nos (…) que podemos arrancar justiça para todas as vítimas do racismo institucional e da impunidade racista”, sublinham os promotores da iniciativa “O Racismo matou de novo: Justiça por Bruno Candé”, que, para assinalar o primeiro aniversário do homicídio, estão a apelar a uma “Concentração por Justiça & Memória”, na mesma avenida onde o crime foi executado. “Chamamos todas e todos a se somarem à família e amigos para homenagear Bruno Candé, transformando o luto em luta! Para que não se esqueça e nunca mais aconteça!”.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

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