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Todos os naipes contam

Poses de humanidade

A presença da fotografia da sul-africana Zanele Muholi na exposição “Just My Imagination (Running Away with Me)”, patente até 29 de Janeiro do próximo ano, no Hangar, em Lisboa, serve de mote para voltarmos a destacar o seu trabalho. Partimos de um aviso que soou há décadas – “There comes a time when silence is betrayal” –, pela voz de Martin Luther King, e que sucessivos surtos de desumanidade mantêm actual. Contra eles, erguem-se as criações da artista visual sul-africana Zanele Muholi, dedicadas a visibilizar a comunidade negra LGBTI+. Aqui representada em quatro séries fotográficas: “Miss (Black) Lesbian”, “Being”, “Brave Beauties”, e "Beulahs”. Todas com poses de celebração da nossa Humanidade.

O Templo das Mulheres

Em Angola, terra de nascimento à qual regressou em 2010, após três décadas de vida em Portugal, João Monteiro percorreu os caminhos de fé que conduzem à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Muxima. Neste templo católico, mariano, situado a cerca de 130 quilómetros de Luanda – e que atrai peregrinações tão massivas como as de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) –, João captou a rotina espiritual das devotas. O resultado está registado nas imagens que aqui apresentamos, a que juntamos o testemunho escrito do que encontrou: “Um altar de fé e devoção a Maria, mãe de Deus. Um local de culto, onde o silêncio é interrompido pela onda de murmúrios das mulheres, que diariamente o visitam”. Uma “casa comum”, na qual  ecoam “sons de súplica, carregados de esperança, à espera que a “Mãe de todas as mães” os oiça e atenda todas as preces”.

Raízes de celebração

Incompreendido, discriminado e reprimido, durante séculos de violência escravocrata e colonialista, o cabelo afro solta-se, cada vez mais, do passado opressor para celebrar as suas raízes. Atenta a este movimento de libertação, que acompanha a partir de Londres, onde reside há nove anos, Alice Marcelino documentou-o na série “Kindumba”. O trabalho, realizado entre 2015 e 2017, é apresentado pela fotógrafa como um “projecto sobre a diversidade e riqueza cultural” das raízes capilares negras. Ao mesmo tempo, “Kindumba” – termo da língua angolana kimbundu traduzível para “Meu Cabelo” -, reflecte sobre as construções colectivas que “perpetuam ideais de beleza estereotipados”. Desafiando-as!

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