ENTRE A EUROPA E OS PALOP HÁ UMA NOVA LIGAÇÃO – E DÁ MUITO QUE FALAR...E POUPAR
Aterrou num PALOP e ficou incomunicável? Ou será que, tendo acabado de sair do ‘modo de voo’, foi apanhado de surpresa com a mensagem de que atingiu o plafond em tráfego de dados? Seja como for, a PalopConnect resolve. Em época alta de viagens, o Afrolink foi conhecer esta proposta, que facilita comunicações entre os países europeus e os estados africanos de língua oficial portuguesa, permitindo, por exemplo, aterrar em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe já com acesso à internet a custos controlados, e sem filas nem cartões físicos. Contamos-lhe tudo o que precisa saber.
EM DESTAQUE
Nesta semana em que se disputa a final do Campeonato do Mundo de Futebol, marcada, fora das quatro linhas, pelos protestos contra as políticas dos EUA e da FIFA, recordamos que, na contracorrente dos conformismos e medos que se alimentam e instigam aqui e ali, sempre houve quem tivesse resistido e combatido. Como as selecções africanas que, em bloco, recusaram participar no Mundial de Inglaterra de 1966, reconhecendo que o que estava em jogo, muito mais do que uma competição, era a dignidade de um continente inteiro. Olhando para esse exemplo, e perante um estado global de resignação e apatia que normaliza os crimes Trumpistas, importa reavivar a importância do boicote como via de contestação e transformação.
O Grande Auditório da Fundação Gulbenkian recebeu ontem, 12, um dos concertos mais aguardados da programação do “Jardim de Verão”: Os Tubarões, grupo histórico da música cabo-verdiana cuja trajetória se confunde com a história da Independência de Cabo Verde e da afirmação da identidade cultural africana de língua portuguesa. O concerto, de entrada gratuita, esgotou rapidamente. Mas o que ficou deste dia não foi apenas a celebração da música. Ficou também a desilusão de centenas de pessoas que não conseguiram assistir ao espetáculo, e uma questão que merece ser debatida: o acesso à cultura é verdadeiramente igual quando nem todos partem do mesmo ponto?
Cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas votaram num partido abertamente racista e xenófobo nas últimas Legislativas, transformando-o na terceira força política em Portugal. Os alarmes deveriam ter soado bem alto, mas, em vez disso, várias vozes se apressaram a absolver o eleitorado racista, justificando as suas escolhas com “zangas”, “ressentimentos” e “descontentamentos”. Como se houvesse contexto capaz de tornar aceitável e até justificável o racismo e a xenofobia. Ou como se as pessoas escolhessem propostas racistas inocentemente e sem intenção. Afinal, garante o primeiro-ministro, em Portugal "o ódio e as questões raciais não têm uma natureza de preocupação”. Facto é que a aparente facilidade com que a extrema-direita mobiliza racistas e xenófobos no país contrasta com a dificuldade que o Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia (GAC) enfrenta para juntar 20 mil assinaturas em defesa da criminalização do racismo. O Afrolink deixa-lhe com o essencial desta iniciativa do GAC, percorrida a partir dos esclarecimentos dos juristas Anizabela Amaral e Nuno Silva, que integram a campanha.
A noite desta quinta-feira, 11, deveria ter sido de estreia do espectáculo “Afro Saloyá”, de Isabél Zuaa, em Guimarães, mas uma agressão racista, com ameaça física e tentativa de intimidação determinou o cancelamento da apresentação. Para que os factos não sejam distorcidos, a artista multidisciplinar explicou ao público do Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor a violência que sofreu durante os ensaios. “Ia levando com o microfone na cabeça”, contou, numa mensagem que o Afrolink partilha em vídeo.
Olhamos para os catálogos dos grupos editoriais, percorremos a programação dos festivais literários, lemos páginas de divulgação e crítica de novos autores e o cenário mantém-se e ostensivamente branco. Da cor do país, dizem uns, rejeitando pintar Portugal a vários tons, sobretudo se estivermos a falar dos mais escuros. A recém-lançada Kiala assume o compromisso de destoar desta palete monocromática, agregando ao mundo editorial não apenas cores que não estão, mas cores que não se quer que estejam. Às páginas tantas, talvez se consiga perceber que o problema não é a Kiala existir. O problema é ter de existir. Eu que vos diga...e digo.
Em 2019 começou por partilhar sugestões de livros, e reflexões sobre a falta de diversidade, autoral e temática, no mundo editorial. De conteúdo em publicação, desbravou páginas, capítulos e títulos, popularizando-se como a autora do “Quem me Lera”, projecto que se tornou assinatura e marca digital. Tradutora, revisora e editora, Elga Fontes lidera agora uma nova chancela – a Kiala – onde o catálogo e a sua produção se constroem a partir de talentos negros. O Afrolink apresenta-lhe esta novidade, que se estreia no mercado com a obra “Feminismo na Periferia”, já à venda, e com apresentação marcada para as 18h30 de 11 de Junho, na Casa do Comum, em Lisboa.
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ÚLTIMOS ARTIGOS
No próximo sábado, 25, celebramos o Dia Internacional das Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, e o Dia Internacional das Mulheres e Meninas Afrodescendentes. A dupla comemoração acontece na sede da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, em Alcântara, a partir das 12h, com várias actividades, onde se inclui o Mercado Afrolink. Apareçam!
Publicado em 1996, o livro “Cabaró, Djito Tem!”, que reúne a obra poética de Paulo Tambá Bungué, ganha agora nova vida pela mão do filho, o artista multidisciplinar Welket Bungué. Trinta anos depois, a obra é apresentada como um “gesto de restituição histórica e afectiva”.
A Biblioteca de Marvila recebe, de 16 a 18 de Julho, o projecto "A Invenção do Descanso", da artista multidisciplinar Carolina Varela. Com sessões às 19h e às 21h, a proposta segue depois, a 31 de Julho, para Festival da Juventude Kova M, que acontece no Polidesportivo da Cova da Moura.
O CCCV - Centro Cultural Cabo Verde, em Lisboa, recebe no sábado, 18 de Julho, às 18h30, mais uma edição do projecto musical “Kriolo Sounds – Cada Nota, Uma Estória”, desta vez com a cantora e compositora angolana Luiana Abrantes.
No âmbito de um Projecto de Dissertação de Mestrado em Psicologia no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, que “tem como objectivo compreender melhor a relação entre a utilização de redes sociais, nomeadamente o Instagram e TikTok, e a imagem corporal”, o Afrolink divulga o presente questionário.
A próxima edição das “Residências Insubmissas Gerador” acontece na sexta-feira, 17 de Julho, às 20h30, na Casa Capitão, em Lisboa, sob o mote “Pensar a Perda de Direitos em Voz Alta”. Com entrada livre e as participações de Raquel Varela, Alexandra Leitão, Ana Paula Costa, Lia Ferreira, Miguel Salazar e Beatriz Brajal.